“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo”. (Efésios 6:11)
Nossa primeira necessidade é a de nos estimularmos a resistir à tentação por uma piedosa confiança na Graça toda-suficiente de Deus, isto é, obtendo dEle a força que nos permitirá ir adiante e lutar contra o inimigo. Nossa segunda maior necessidade é estar bem armado para o conflito em que devemos entrar diariamente.
O cristão está engajado em uma guerra. Há uma luta diante dele, portanto, a armadura é urgentemente necessária. É impossível que nós permaneçamos firmes contra as astutas ciladas do Diabo, a menos que usemos as provisões que Deus fez para nos habilitar a permanecer. Observem que isto é chamado de “a armadura de Deus”; como a força de que precisamos, não vem de nós mesmos, mas precisa ser fornecida pelo Senhor; assim os nossos meios de defesa não repousam em nossos próprios poderes e capacidades, senão apenas quando eles são vivificados por Deus. Isto é chamado de “armadura de Deus”, por que Ele tanto fornece quanto concede, pois nós não temos nenhuma de nós mesmos; e, ainda assim, enquanto esta armadura é da provisão e concessão de Deus, nós devemos “revestir-nos”!
Deus não a coloca em nós; Ele a coloca diante de nós; e é nossa responsabilidade, dever, tarefa, revestir-nos de toda a armadura de Deus. Devo dizer que esta mesma figura da “armadura” é usada três vezes nas epístolas de Paulo, e eu acredito que encontramos nelas uma referência à Trindade.
Agora é muito importante que reconheçamos que este termo “armadura” é uma ilustração, uma metáfora, e não se refere a algo que é material ou carnal. É uma expressão figurativa que denota as graças do cristão: as várias partes desta armadura representam as diferentes graças espirituais que devem proteger as suas várias capacidades; e quando nos é dito “revistam-se” da armadura, isto simplesmente significa que devemos exercitar e pôr em ação as nossas graças. Observem: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus”, ou seja, evitando as ciladas do diabo; ou para usar a ilustração, assim exerçam todas as virtudes Cristãs de forma que nenhuma parte da alma esteja exposta ao inimigo. Aqueles que desejam confirmar a si mesmos se estão na posse da graça, devem observar se eles têm todas as graças de um santo.
“Portanto, tomai toda a armadura de Deus (a fim de que) possais resistir no dia mau”.
Não há nenhuma defesa contra isso se nós não estivermos armados.
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6:12).
A introdução “porque” tem a força de “Pelo motivo de que”; o apóstolo está desenvolvendo a razão, o que praticamente equivale a um argumento, como a compelir à exortação recém-feita. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os príncipes das trevas deste século. Isso é expresso para enfatizar o terrível conflito diante de nós. Não é alguém imaginário, e nem inimigos comuns que temos que enfrentar; mas espirituais, sobre-humanos, invisíveis. Os inimigos buscam destruir a fé e produzir dúvida.
Eles procuram destruir a esperança e produzir desespero. Eles querem destruir a humildade e produzir orgulho. Eles procuram destruir a paz e produzir amargura e malícia.
Eles procuram evitar o nosso gozo das coisas celestiais. Seu ataque não é sobre o corpo, mas sobre a alma.